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Nem todo o equilíbrio é saudável: quando manter a paz começa a custar-te demasiado

10 de set.
3 min de leitura

Há uma diferença entre criar equilíbrio numa relação e passar o tempo inteiro a tentar evitar conflito. Nem sempre é fácil perceber quando atravessamos essa linha.

Às vezes começamos apenas por ceder um pouco mais, escolher não dizer determinada coisa, adaptar-nos ao ritmo do outro ou deixar uma necessidade nossa para depois. Fazemos isso porque queremos preservar a relação, porque não queremos criar tensão ou porque acreditamos que manter a harmonia é sempre a escolha mais madura.

Mas, quando esse movimento se repete demasiadas vezes, podemos começar a perceber que a paz que estamos a tentar manter à nossa volta está a ser construída à custa da nossa própria tranquilidade.

Setembro traz muito esta reflexão sobre equilíbrio, relações e verdade. Não tanto no sentido de perguntarmos quem está certo ou errado, mas de percebermos se estamos realmente a relacionar-nos a partir de um lugar de reciprocidade ou apenas a tentar manter tudo estável para não incomodar ninguém.


Equilíbrio não é ausência de desconforto

Uma relação saudável não é aquela onde nunca existem diferenças, conversas difíceis ou momentos de tensão.

É aquela onde podemos continuar a existir por inteiro mesmo quando pensamos, sentimos ou precisamos de coisas diferentes.

Por vezes confundimos equilíbrio com concordância e começamos a acreditar que, para uma relação funcionar, alguém tem sempre de ceder.

O problema surge quando esse alguém somos quase sempre nós.

Quando dizemos que está tudo bem mesmo quando não está. Quando engolimos aquilo que gostaríamos de dizer. Quando começamos a antecipar as necessidades do outro antes de sequer percebermos as nossas. Podemos conseguir manter a relação tranquila durante algum tempo, mas internamente vai ficando uma acumulação difícil de ignorar.

Cansaço. Irritação. Distância. Ressentimento. E, muitas vezes, não é porque deixámos de gostar daquela pessoa. É porque deixámos de ter espaço suficiente para nós dentro daquela relação.



O Reiki também pode ajudar-nos a perceber onde nos estamos a abandonar

Uma das formas mais simples de trazer o Reiki para estas situações é usá-lo como um momento de regresso a nós próprios. Quando estamos muito envolvidos numa relação, pode tornar-se difícil distinguir aquilo que verdadeiramente sentimos daquilo que estamos a fazer apenas para manter tudo bem. O Reiki não vai dizer-nos se devemos ter uma conversa, afastar-nos ou permanecer. Mas pode ajudar-nos a sair durante alguns minutos da dinâmica com o outro e voltar a perceber o que está a acontecer dentro de nós.

Se tens Reiki, experimenta colocar as mãos sobre o coração e o plexo solar depois de uma situação em que sentiste que cedeste mais do que querias.


Em vez de tentares perceber quem teve razão, pergunta-te apenas: Como é que eu fiquei depois deste encontro?

E permanece alguns minutos. Talvez percebas que não era assim tão importante ter dito “não”. Talvez reconheças que estavas apenas mais sensível naquele dia. Ou talvez te tornes consciente de que existe um padrão que se tem repetido e que já não queres continuar a alimentar.

O importante não é encontrar imediatamente uma solução.

É voltares a estar contigo antes de decidires como queres estar com o outro.


Relações também precisam de reajustes

Nem sempre colocar um limite significa criar distância.

Nem sempre dizer aquilo que sentimos significa provocar conflito.

E nem sempre considerar o outro exige colocarmo-nos em segundo lugar.

Às vezes, aquilo que uma relação precisa para continuar a crescer não é de mais esforço para manter tudo como está, mas de mais verdade.

Talvez Setembro te convide a observar onde tens confundido paz com silêncio, compreensão com excesso de adaptação e amor com a necessidade de estar sempre disponível.

Porque equilíbrio não acontece quando uma pessoa cede até deixar de se reconhecer.

Acontece quando existe espaço suficiente para duas pessoas poderem estar presentes na relação sem que nenhuma precise de desaparecer.

E talvez possas levar contigo esta reflexão:


Em que relações estou realmente a criar equilíbrio, e em quais estou apenas a tentar evitar desconforto?


Sandra Costa

 
 
 

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Sandra Costa
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